NOTA OFICIAL – O medo institucionalizado no Bradesco

Ao longo do dia, o Sindicato dos Bancários de Novo Hamburgo e Região recebeu diversas denúncias de práticas abusivas, assédio moral grave e ameaças por parte da chefia do Bradesco.

Conforme as denúncias que chegam à entidade sindical, a partir de agora a Gerência Regional institucionalizou o medo como forma de assediar os trabalhadores bancários, ameaçando com carta de advertência e/ou demissão os trabalhadores que tivessem reclamação de clientes, sejam elas internas ou do Banco Central.

Os diversos relatos nos deixaram perplexos e resultaram em ações imediatas por parte do Sindicato e de seu departamento jurídico. O cenário relatado não configura uma prática legítima de gestão, mas evidencia indícios graves de assédio moral em caráter institucional.
A conduta atribuída à     Gerência Regional do Banco Bradesco, ao ameaçar trabalhadores com a aplicação de advertências formais, representa uma transferência indevida de responsabilidade. Tal medida desloca para os empregados, especialmente aqueles na linha de frente, o ônus de falhas que são, em sua essência, estruturais e amplamente conhecidas.

Os dados oficiais corroboram essa constatação. Informações do Banco Central do Brasil indicam que, no primeiro trimestre de 2026, o Bradesco figura entre as instituições com maior volume de reclamações procedentes, ocupando a segunda posição no ranking, atrás apenas do C6 Bank, com índice de 48,92 e mais de 5.300 registros reconhecidos como falhas da própria instituição. Em períodos recentes, a o banco também se manteve entre as mais demandadas, inclusive liderando rankings em números absolutos de queixas.

Não se trata, portanto, de ocorrências pontuais, mas de um padrão reiterado.No plano sistêmico, em 2025, o setor financeiro concentrou aproximadamente 64% de todas as reclamações registradas no Banco Central, totalizando mais de 760 mil ocorrências. Esse dado evidencia um problema estrutural no modelo de atendimento adotado, afastando qualquer tentativa de atribuição individual de responsabilidade aos trabalhadores.

Há, nesse contexto, uma contradição evidente e preocupante: ao mesmo tempo em que a instituição intensifica a migração de clientes para canais digitais, reduz a estrutura de atendimento presencial, precariza serviços e impõe sobrecarga às equipes, passa a responsabilizar os empregados pelas insatisfações geradas por esse próprio modelo.

Tal prática não se alinha a princípios de governança responsável ou de melhoria contínua da qualidade. Ao contrário, revela a adoção de mecanismos de gestão baseados na pressão e no medo, incompatíveis com ambientes de trabalho saudáveis e com a legislação trabalhista vigente.

A responsabilização de trabalhadores por reclamações reconhecidas como falhas institucionais configura, na prática, um instrumento de constrangimento organizacional. Trata-se de uma forma de disciplinamento por intimidação, que busca ocultar a origem real dos problemas: decisões estratégicas relacionadas à redução de estrutura, fechamento de agências, diminuição de quadros e reconfiguração do modelo de atendimento.

Diante disso, é imprescindível afirmar de forma categórica: os bancários não são responsáveis por esse cenário. A origem do problema reside no modelo de gestão e nas diretrizes institucionais adotadas. Medidas disciplinares não corrigem falhas estruturais, apenas aprofundam um ambiente de insegurança e injustiça. E, sobretudo, não serão capazes de ocultar a gravidade da realidade posta.

E importante destacar: o SindiBancários NH já está tomando as ações cabíveis para acabar com este absurdo institucional.

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