Pelo que nós, mulheres, lutamos hoje?

7 de março de 2018

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É lugar comum listar as importantes conquistas que as mulheres alcançaram nos últimos anos. Ninguém nega que a luta feminista nos garantiu direitos por muito tempo negados. Coisas que hoje parecem resolvidas, questões ultrapassadas. Cito o direito a estudar, a ter uma profissão e poder exercê-la, votar e ser candidata a cargo eletivo, o direito ao divórcio e às decisões referentes ao nosso corpo. Enfim, uma voz.

Volto a este tema na semana do Dia Internacional da Mulher, inspirada pelos questionamentos de Nancy Fraser ao descrever o “feminismo de segunda geração”. Pelo que lutamos hoje? É certo que abandonamos a crítica à opressão imposta pelo capitalismo e nos tornamos criadas de um capitalismo travestido em nova roupagem?

Falo diante de uma realidade que experimento todos os dias, a realidade das mulheres brasileiras. E parto de uma premissa básica. Vejam como todas essas conquistas, ainda hoje, estão longe de completas.

Podemos estudar e almejar uma profissão. Mas como se dá o acesso ao mercado de trabalho para as mulheres? Como as mulheres são recepcionadas em cursos ocupados predominantemente por homens?  Como é a realidade salarial das mulheres que ocupam a mesma função dos homens?

Podemos votar e nos candidatar a cargos eletivos. Mas qual a prioridade que a maioria dos partidos dá às candidaturas das mulheres? Qual o incentivo para a formação de lideranças femininas? As mulheres negras enfrentam as mesmas dificuldades que as brancas ou a elas são impostas mais barreiras?

O direito a dar fim a uma relação infeliz ou abusiva está na lei, mas quantas pagam com a própria vida ao exercer essa opção? Podemos dizer que todos esses direitos vieram acompanhados de estruturas que nos permitam uma vida sem violência e em igualdade de condições? Infelizmente não.

Longe do que parece, este é um texto de esperança. Esperança neste feminismo de segunda geração. O neoliberalismo é a fase contemporânea de um capitalismo que não será superado fora da luta de classes.

A opressão de gênero se alimenta das vicissitudes deste sistema e nossa luta não pode desconhecer isso. E por isso o feminismo deve ser sinônimo de coletivo. Sinônimo de uma luta coletiva contra a opressão.

Neste sentido, a luta pelo empoderamento das mulheres deve ser solidária e andar de mãos dadas com a democracia. Fora disso, está certa Nancy Fraser, prevalece o individualismo e, em prevalecendo, jogamos o jogo para perder. E essa derrota é de todos.

As lutas revolucionárias não se constroem sem correlação de forças. A união é imprescindível. As feministas devem estar na vanguarda da revolução que se faz, mais do que nunca, necessária.

Nossa bandeira é a emancipação. Nossa voz deve se erguer, com liberdade e generosidade, para que todos se envolvam nesta bandeira. Fora dela teremos uma sociedade injusta e indigna para seus homens e mulheres. Fora dela está a opressão e enquanto ela perdurar não deixaremos de lutar.

 * Jandira Feghali é médica e deputada federal (PCdoB-RJ)

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Rua João Antônio da Silveira, 885, Centro, Novo Hamburgo

Revista ContraOrdem

Contra Ordem nº 2
junho/2018

– A questão social dos caminhoneiros
– Tudo o que aconteceu na Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias
– O projeto de destruição da Petrobrás
– Ultratividade: Entenda o que está em jogo

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