Com orçamento reduzido há três anos, Museu Nacional é atingido por incêndio

3 de setembro de 2018

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Um incêndio atingiu o Museu Nacional, em São Cristovão, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ) nesta noite de domingo (02). As chamas, que envolveram todo o prédio do museu, provocaram perdas irreparáveis para a cultura.

O Museu passa por enormes dificuldades financeiras, agravadas desde 2016, quando Michel Temer cortou os investimentos e os repasses para a área de cultura. Desde então, o museu contava com campanhas virtuais e de “vaquinhas” organizadas por colaboradores e estudantes.  João Brant, que foi secretário-executivo do Ministério da Cultura no segundo governo de Dilma Rousseff, explica: “Primeiro que a tragédia é horrenda, as imagens falam por si e elas mostram uma perda completamente irreparável. Não adianta a gente falar em reconstrução sem fazer o luto do que foi perdido ali. Nós estamos falando de menos de 100 mil reais recebidos este ano. Este valor que é repassado para os museus é um valor ínfimo. É uma realidade de corte de gastos, que produz uma dificuldade de se manter contratos mínimos de manutenção. É claro que existe uma série de outras responsabilidades que precisam ser apuradas, nós não podemos falar somente em corte de gastos, mas não é possível ter um ponto de partida que não seja este corte. Os cabeças de planilha que acham que cortando o gasto público o Brasil recupera a capacidade econômica deixam de reconhecer, justamente, todos os efeitos negativos imediatos e os de longo prazo deste corte de recurso. Nós perdemos acervos de uma forma que é completamente irrecuperável. Quando a gente fala de corte de gasto, por exemplo, todos os museus têm um mínimo de manutenção que se você corta não existe de onde tirar”.

Ainda não se sabe a causa do fogo, mas a assessoria de imprensa informou que não há vítimas. O incêndio, que tomou o Museu por inteiro, começou às 19h30, após o encerramento do horário de visitas. Os quatro vigilantes que estavam dentro do prédio conseguiram sair em segurança. Pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Museu possuia em seu acervo o fóssil de “Luzia”, o ser humano mais antigo já encontrado no país. Além de servir como espaço de pesquisa, o Museu guardava uma quantidade inestimável de memória nacional, com coleções de biologia, botânica, arqueologia, geologia, paleontologia, zoologia, etnologia e antropologia.

Hoje pela manhã, um ato em apoio ao Museu foi reprimido com violência pelas forças policiais. Os manifestantes foram recebidos com bombas de efeito moral e spray de pimenta enquanto protestavam em frente aos portões da Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio de Janeiro, local que abrigava a instituição incendiada.

Centenas de pessoas participaram do protesto, que se iniciou por volta das 9h da manhã e foi convocado através do Facebook. Nas redes sociais, estudantes, professores e pesquisadores manifestaram repúdio à ação truculenta das forças policiais.

Texto: Alex Glaser – Foto: Ricardo Moraes – Agência Reuters

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